Vítima relatou perseguição ao longo do dia, ligações insistentes e ameaças; após registrar boletim de ocorrência, ela voltou a ser alvo do suspeito, que teria danificado a janela da casa durante a noite.
O fim de um relacionamento não pode ser confundido com autorização para perseguir, ameaçar ou invadir a tranquilidade de quem decidiu seguir outro caminho. Na noite de sábado (10 de outubro), uma ocorrência de violência doméstica mobilizou a Guarda Civil Municipal (GCM) no bairro Vila Alemã, em Rio Claro.
Um homem de 46 anos foi preso após ser acusado de perseguir e ameaçar a ex-companheira, de 40 anos, além de quebrar os vidros da janela da residência dela. O caso chama a atenção pela sequência de episódios relatados pela vítima, que procurou ajuda das autoridades antes de a situação voltar a se agravar.
Gritos de socorro durante o chamado
A ocorrência teve início por volta das 23h18, quando a GCM foi acionada para atender a uma situação de desinteligência na Avenida 40 A. Durante a ligação de emergência, os agentes puderam ouvir gritos de socorro ao fundo, indicando a necessidade de uma rápida averiguação.
No local, a mulher relatou que estava separada do suspeito havia aproximadamente dois meses. Segundo seu depoimento, os problemas daquele sábado começaram ainda pela manhã, quando ela pediu carona a um amigo para ir ao trabalho e percebeu que estava sendo seguida pelo ex-marido durante o trajeto.
De acordo com a vítima, a perseguição teria sido acompanhada por sucessivas ligações telefônicas e mensagens de texto ao longo do dia.
Diante da situação, ela compareceu à Delegacia de Polícia no período da tarde para registrar um boletim de ocorrência por ameaça. Mesmo após procurar as autoridades, porém, a mulher ainda enfrentaria novos momentos de tensão naquela noite.
Portão fechado, ameaças e janela quebrada
Por volta das 22h30, conforme o relato apresentado à GCM, o homem foi até a residência da ex-companheira, passou a esmurrar o portão e proferiu novas ameaças.
Com medo, a mulher decidiu não abrir a entrada do imóvel. O suspeito, então, teria se dirigido à janela do quarto, acessível diretamente pela rua, e desferido um soco contra a estrutura, quebrando os vidros.
Quando os guardas-civis chegaram, o homem foi abordado e apresentou sua versão dos acontecimentos. Ele alegou que residia no local e trabalhava a aproximadamente 50 metros da casa da ex-companheira. Também afirmou que teria ido até o imóvel para pedir que abrissem o portão para a filha do casal, de 13 anos.
O homem admitiu ter quebrado a janela, justificando o ato como resultado de um “momento de nervoso”.
A explicação apresentada, entretanto, não encerrou a ocorrência. Diante dos relatos e dos danos constatados, as partes foram conduzidas ao plantão policial para as providências cabíveis.
Caso foi encaminhado à Polícia Civil
A autoridade policial de plantão acionou a perícia técnica, que compareceu ao local para os trabalhos necessários. A ocorrência foi formalizada, e o suspeito permaneceu à disposição da Justiça.
O caso reforça a importância de levar a sério os sinais de violência doméstica. Perseguições, ameaças, intimidações e danos ao patrimônio podem representar uma escalada de comportamento violento e exigem atenção das autoridades.
A separação deve marcar o encerramento de uma relação, não o início de uma rotina de medo. Nenhuma pessoa deve ser obrigada a conviver com ameaças ou a abrir a própria porta por receio das consequências de mantê-la fechada.
Guarda Civil reforça canais de denúncia
A Guarda Civil Municipal de Rio Claro reafirma seu compromisso com o enfrentamento à violência contra a mulher e orienta que vítimas ou pessoas que tenham conhecimento de situações semelhantes procurem ajuda.
Em caso de emergência, a população pode acionar a GCM pelos telefones 153 ou 0800 771 1532. Segundo a corporação, a identidade de quem denuncia será preservada.
Denunciar não é motivo de vergonha. Pedir ajuda é um direito e pode ser um passo importante para interromper o ciclo da violência.





