O WhatsApp vai excluir os usuários que não aceitarem sua nova política de privacidade, que obriga quem utiliza o aplicativo a compartilhar dados, inclusive agenda de contatos, com o Facebook, independente de se ter ou não conta nessa segunda rede social. O Whats é o aplicativo de mensagens mais utilizado no Brasil, sendo o mais baixado até dezembro.
O anúncio das mudanças feito pelo WhatsApp aqui no Brasil desencadeou uma enxurrada de críticas e o descontentamento foi tanto que houve a migração de usuários para outros aplicativos de mensagens, com destaque para o “Telegram” e “Signal”. Além disso, o Procon notificou e solicitou informações das mudanças. Diante de tamanha pressão, o WhatsApp resolveu prorrogar as alterações para 15 de maio.
Em manifestação, o WhatsApp afirmou que o conteúdo de mensagens e ligações é protegido por criptografia e não pode ser acessado com o compartilhamento, e afirmou que os dados que são compartilhados entre ele e o Facebook permanecem os mesmos desde 2016.
A advogada Fernanda Hebling, que está se especializando na área de proteção de dados, alerta que o impacto das mudanças no WhatsApp na privacidade das pessoas ainda não está muito claro.
Segundo a advogada, muitos usuários não leem os termos de privacidade e aceitam sem perceber que estão abrindo mão de sua privacidade, sem entender também os impactos disso em seu cotidiano.
O Whats registra as informações dos usuários, como perfil de uso do aplicativo, contatos, participação em grupos, horários de utilização do aplicativo, tipo de mensagem, entre outros dados.
Depois, ele compartilha esses dados com Facebook, que por sua vez se tornou uma grande plataforma publicitária. Na realidade, a prática já acontece hoje, mas a nova legislação exige que o usuário esteja consciente.
Fernanda explicou que a Lei Geral de Proteção de Dados foi editada em 2018 começou a vigorar há apenas seis meses, por isso ainda é desconhecida e exige diversas adaptações por parte de empresas de aplicativos, sites e, especialmente e-commerces.
A maneira com você usa o Whats, pode dizer muito sobre você, seu perfil de consumidor, suas preferências por marcas, telefonia e horários. O aplicativo vai registrar seu número de telefone, marca do celular, locais de uso do mesmo, horário em que conversam e operadora de internet, entre outros dados.
As regras de privacidade estão afastando usuários do Whats e já tornaram Signal, aplicativo de uma ONG norte-americana, como o primeiro em downloads desde o anúncio do novo sistema de privacidade, seguido do Telegram.
Outro problema é que o Whats se tornou uma ferramenta de negócios e relacionamento importante na vida das pessoas, especialmente neste momento de pandemia. Compras, entregas, negócios e até admissões em empregos estão sendo realizados pelo aplicativo, que tem grupos já bem estabelecidos. Começar tudo de novo pode impactar negativamente um negócio ou relacionamento.
Os impactos dessas mudanças ainda estão sendo avaliados e estudados, mas o que se sabe é que em países em que a política de privacidade de dados foi bem definida, como a região do Leste Europeu, essas mudanças não foram permitidas.
Colaboração: Fernanda Hebling, a advogada está se especializando na área de proteção de dados





