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Entre pavilhões e memórias, Carnaval de Rio Claro homenageia quem fez história

Medalha Capital da Alegria reconhece seis personalidades que têm suas trajetórias entrelaçadas com as escolas de samba e com a construção da folia rio-clarense.

Há histórias que não cabem em uma fotografia de desfile. Elas atravessam os anos, mudam de cores, passam por diferentes escolas e continuam vivas mesmo quando a bateria silencia. Foi esse espírito que tomou conta da Câmara Municipal de Rio Claro, na noite de quinta-feira, 17 de setembro, durante a entrega da Medalha Capital da Alegria e do Diploma de Gratidão pela promoção e manutenção do Carnaval.

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A solenidade, realizada por iniciativa do vereador Hernani Leonhardt, autor do Decreto Legislativo nº 673/2023, reuniu representantes das escolas de samba, dirigentes, autoridades, familiares e, principalmente, personagens que carregam em suas histórias um pouco da trajetória do Carnaval de Rio Claro.

Mais do que uma homenagem individual, a noite acabou se transformando em um encontro de memórias.

Os seis homenageados foram indicados pelas escolas de samba: Hedmari Gomes Furquim, a Mari, dos Embaixadores do Samba; Roberto de Paula Neto, da Ritmo Alvinegro; Marly Paula Domingues dos Santos, a Dona Marly, da Unidos da Vila Alemã; Eunice Moraes, a Nicinha, da Grasifs – Voz do Morro; Yeda Moraes Casagrande, da A Casamba; e Fabiana Malaspina, da Samuca.

Em comum, além da dedicação ao Carnaval, existe outro detalhe que merece ser lembrado: todos têm histórias construídas dentro da folia rio-clarense. Alguns passaram por diferentes agremiações ao longo da vida, mudaram de escola, assumiram novas funções e conheceram outros pavilhões. Mas nunca deixaram para trás aquilo que os unia: o amor pelo Carnaval.

E essa característica talvez seja uma das maiores riquezas da folia de Rio Claro. A escola pode mudar, a função pode mudar, o pavilhão pode ganhar novas cores, mas a essência permanece.

Os presidentes das 6 Escolas do Grupo Especial; Ritmo Alvinegro, representande do presidente Daniel, UVA Erick, Samcua Coro, Embaixadores Bruno, A Voz do Morro Ari e Du Lotumulo representando o presidente da A Casamba

Uma noite de pavilhões e de união

E se a homenagem era ao Carnaval, os símbolos maiores das escolas não poderiam ficar de fora.

Ao longo da solenidade, as agremiações levaram seus pavilhões para a Câmara Municipal, transformando o espaço em um grande encontro da comunidade carnavalesca. A UESCA – União das Escolas de Samba da Cidade Azul também fez questão de levar o seu pavilhão.

Foi uma imagem que dizia muito sem precisar de discurso: diferentes histórias, diferentes trajetórias e diferentes escolas reunidas em torno de uma mesma paixão.

Na mesa principal estiveram o presidente da UESCA, Willian Nagib Filho; o ex-presidente da Câmara e diretor de Relações Institucionais da UESCA, João Zaine; a vice-prefeita Maria do Carmo Guilherme, representando o prefeito Gustavo Perissinotto; o ex-secretário municipal de Turismo, Guilherme Pizzirani; o secretário municipal de Relações Institucionais, Alessandro Almeida; o secretário municipal de Planejamento, Bruno Oliveira; além dos vereadores Julinho Lopes e Claudino Galego.

Ao ocupar a tribuna, Willian Nagib Filho falou sobre o trabalho da UESCA e o propósito de resgatar e fortalecer a cultura carnavalesca no município. O presidente destacou a importância de Rio Claro voltar a valorizar a dimensão cultural de uma festa que já colocou a cidade entre os 10 principais Carnavais do país, segundo a referência mencionada durante a solenidade.

Willian também ressaltou o empenho da UESCA na busca por patrocinadores e parceiros para o Carnaval de Rio Claro, como parte do trabalho de fortalecimento das escolas e de construção de melhores condições para os desfiles.

A fala encontrou eco em outro ponto importante da noite: o sentimento de pertencimento de quem vive o Carnaval.

Ao ocupar a tribuna, o diretor da UESCA, João Zaine, falou sobre o amor que o sambista desenvolve pela sua escola, pelo seu pavilhão e pelo próprio samba.

Esse sentimento também está presente em uma iniciativa idealizada por Zaine e que ganhou espaço na história recente do Carnaval rio-clarense: o Sambas e Bandeiras.

A proposta criou um momento especial para a comunidade carnavalesca, reunindo as escolas para que cada uma pudesse apresentar seu samba antes da chegada do desfile oficial. Todos juntos, com seus pavilhões, seus componentes e suas histórias, em um encontro marcado pela confraternização.

A disputa ficou para a avenida. Antes dela, havia espaço para o encontro.

A iniciativa ajudou a criar uma imagem diferente daquela tradicional rivalidade carnavalesca: as escolas lado a lado, celebrando aquilo que têm em comum, sem deixar de defender, cada uma, as suas cores e o seu pavilhão.

Porque, no Carnaval, o sambista pode defender uma bandeira com toda a paixão, mas sabe reconhecer que existem outras bandeiras igualmente importantes para manter viva a festa.

Foi também nesse clima que Hernani Leonhardt resgatou parte de sua relação com o Carnaval ao lembrar a emenda parlamentar destinada, em 2017, por meio do então deputado federal Nelson Marquezelli, para a implantação da passarela do samba na Avenida Brasil.

A estrutura, que recebeu o nome de Passarela Capital da Alegria, foi lembrada como um dos passos importantes para a consolidação do espaço destinado aos desfiles. Durante a solenidade, o vereador também defendeu novos investimentos para a área, como arquibancadas e sanitários, além de destacar a importância do apoio financeiro às agremiações.

E, depois de ouvir quem trabalha pelo futuro do Carnaval, a noite voltou seus olhos para quem ajudou a construir seu passado e continua fazendo parte do presente.

Seis histórias, uma paixão

Mari – Embaixadores do Samba

Hedmari Gomes Furquim, a Mari ou Mãe Mari, tem uma trajetória marcada pela dedicação aos Embaixadores do Samba. A sede da agremiação tornou-se praticamente uma segunda casa, e seu trabalho ganhou ainda mais importância com a preparação para o primeiro desfile da escola de samba em 2027.

Atualmente, atua junto aos casais de mestre-sala e porta-bandeira, justamente aqueles que carregam pela avenida um dos maiores símbolos de qualquer escola: o pavilhão.

Roberto de Paula Neto – Ritmo Alvinegro

Roberto de Paula Neto traz no sobrenome e na memória uma ligação profunda com o Carnaval e com a comunidade negra de Rio Claro. Filho de Divanilde Aparecida de Paula, a Dona Diva, iniciou ainda criança sua caminhada na folia.

Na Voz do Morro, começou na ala das crianças, como jornaleiro, e posteriormente mergulhou no universo da bateria. Vieram os ensinamentos de mestres como Malvino, Vadinho e Alvimar.

Mais tarde, também passou a atuar no barracão da Grasifs, onde aprendeu e trabalhou ao lado do mestre Marcos Farias. Uma trajetória que mostra como, no Carnaval, os caminhos muitas vezes se cruzam e os conhecimentos passam de uma geração para outra.

Dona Marly – Unidos da Vila Alemã

Aos 82 anos, Marly Paula Domingues dos Santos, a Dona Marly, é praticamente sinônimo de dedicação à UVA.

Com disposição que impressiona, passou por diferentes funções dentro da escola. Já desfilou como componente, participou da harmonia da bateria e hoje atua como chefe de ala e integrante da Harmonia.

Sua história é feita de presença. Daquelas pessoas que estão ali quando é preciso ajudar, organizar, preparar e, principalmente, fazer acontecer.

Nicinha – Grasifs/Voz do Morro

Eunice Moraes, a Nicinha, leva para o Carnaval a mesma simpatia que conquistou tantas pessoas ao longo da vida.

Esteticista, mãe, avó e bisavó, encontrou na Voz do Morro uma de suas grandes paixões. Começou a desfilar pela Vermelho e Branco em 2007 e, desde então, não parou.

Para Nicinha, o Carnaval está justamente na soma de pequenos detalhes: cada ala, cada componente, cada etapa até o momento em que tudo se transforma em desfile.

Yeda – A Casamba

Desde o início dos anos 1980, Yeda Moraes Casagrande tem sua história ligada ao Carnaval. Na A Casamba, construiu uma trajetória ao lado do companheiro de vida, Osvaldo Casagrande.

Enquanto Osvaldo trabalhava nas armações dos carros alegóricos, Yeda colocava criatividade e habilidade nos tecidos, cores e acabamentos. O trabalho do casal ultrapassou os limites de uma única agremiação e alcançou praticamente todo o Carnaval rio-clarense.

Armações, fantasias de destaque e adereços passaram pelas mãos dos dois, em uma época em que boa parte da produção carnavalesca também acontecia nas casas dos próprios componentes.

É uma história que ajuda a contar como o Carnaval era feito — literalmente com as mãos, dentro das comunidades e com muita colaboração.

Fabiana – Samuca

Fabiana Malaspina carrega 46 anos de história com a Samuca. Chegou ainda jovem, por intermédio da família Wetten, ligada à fundação da Azul e Branco.

Começou como passista mirim, passou por diferentes alas e chegou aos destaques de carro. Mas foi nos bastidores, especialmente na confecção das fantasias, que encontrou uma das suas grandes formas de participação.

Sua memória remete a um Carnaval em que componentes se reuniam nas próprias casas para preparar fantasias, ajudar uns aos outros e construir, juntos, o desfile que depois ganharia a avenida.

Para Fabiana, a Samuca tornou-se extensão da própria casa. E talvez seja justamente essa sensação de pertencimento que explique por que algumas pessoas passam décadas dentro do Carnaval sem jamais deixar de se emocionar com ele.

Uma homenagem que fica

Ao final da noite, entre medalhas, diplomas, abraços, pavilhões e fotografias, o que ficou foi a certeza de que o Carnaval de Rio Claro não é feito apenas quando a avenida recebe os carros alegóricos e as baterias entram em cena.

Ele começa muito antes.

Está nas mãos de quem costura uma fantasia, na voz de quem ensaia um samba, no trabalho do barracão, na organização de uma ala, no cuidado com o pavilhão e nas pessoas que, mesmo tendo mudado de escola ao longo da vida, nunca mudaram de paixão.

Foi uma noite para celebrar seis nomes, mas também para reverenciar uma parte importante da memória do Carnaval da Cidade Azul.

E, naquela noite, os pavilhões estavam lá para lembrar exatamente isso: cada escola tem sua bandeira, mas todas ajudam a carregar a história do Carnaval de Rio Claro.

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