Empresas de médio porte situam-se entre as pequenas empresas e as grandes corporações, assim definidas principalmente pelo seu faturamento anual e pela quantidade de funcionários.
Noticia o “Valor Econômico” de 28 de maio o incremento de médias empresas em busca de certificação por práticas ESG concedidas pelo chamado “Sistema B”.
A Agenda ESG (meio ambiente/sustentabilidade, social e governança) ganha força a partir de metas perceptíveis em variados segmentos empresariais no mundo todo. Metas ambientais, como o controle de emissão de carbono, meta de zero acidente ambiental, metas sociais como o apoio a programas de inclusão e proteção da população LGBTQIA+, diversidade de equipes, equidade racial, segurança de dados, capacidade de inovação e práticas anticorrupção vem forte no radar empresarial, fortalecendo a imagem interna e externa das corporações.
A Agenda ESG aumenta a confiança de investidores e consumidores: melhora a reputação empresarial e tende a alcançar sólidos resultados financeiros, com benefícios à coletividade.
O da Agenda ESG vem resultando em desenvolvimento, integração, vantagens competitivas, aumento da fidelidade do consumidor, oferta de campo para inovação tecnológica, atração e manutenção de colaboradores talentosos: na prática, explicita o quanto um negócio busca meios de reduzir seus impactos no meio ambiente, se preocupa com as pessoas e as questões sociais e adota boas práticas administrativas.
O pensar sobre inclusão, diversidade e sustentabilidade vem do Pacto Global da Organização da ONU, que visa encorajar empresas a adotar políticas de responsabilidade social corporativa e sustentabilidade, donde surgiram os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), guia para os países comprometidos com o progresso global até 2030.
A exemplo das grandes corporações envolvidas com a Agenda ESG, as médias empresas são nos dias atuais as grandes campeãs na obtenção de certificações concedidas pelo Sistema B, que funciona da seguinte forma: o Sistema B (ou B Corp) reconhece empresas que unem o lucro à geração de impacto socioambiental positivo. O selo avalia a gestão em cinco áreas: Governança, Trabalhadores, Comunidade, Meio Ambiente e Clientes. Tornar-se uma Empresa B exige demonstrar alto padrão de impacto e transparência.
A certificação não é um fim, mas sim consequência da decisão de construir uma empresa com padrões de governança realistas, com maior formalização de processos e controles, evolução de transparência e prestação de contas e fortalecimento de práticas internas ligadas a pessoas e cadeia de valor, com método, auditoria e comparabilidade.
Embora haja certo ceticismo em relação à agenda ESG, fruto do discurso equivocado de Trump e seus asseclas, empresas de médio porte no Brasil querem a certificação, refletindo o anseio por maior visibilidade no mercado, favorecendo movimentos de expansão, busca por investidores e alternativas para fusões e aquisições.
Tornar-se uma empresa B é provar que o negócio gera impactos positivos e consistentes nas áreas social e ambiental, além de rigor com transparência e governança. Tudo isso facilita o acesso da empresa a novos mercados, especialmente o Europeu, onde é maior a exigência em relação à agenda ESG.

Colaborador: Dr. Willian Nagib Filho advogado e sócio do escritório de advocacia; Nicolau Laiun, Lorenzon e Nagib Advogados
