Eles estão entre os 11 representantes da região que fazem parte das Rotas da Cerveja de SP, iniciativa inédita do Governo paulista para desenvolver o turismo gastronômico e de experiências.
O Estado de São Paulo tem diversos destinos e atrações para todos os gostos. Porém, uma região beneficiada com inúmeros atrativos é a Serra do Itaqueri, Cuesta e Centro Paulista. Das paisagens naturais de encher os olhos, com relevos marcantes e muito verde; até a saborosa gastronomia do interior, essas regiões também têm outro atrativo: a produção autoral de cervejas.
Diante disso, o Governo do Estado de São Paulo, por meio das Secretarias de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Viagens, e Agricultura e Abastecimento, com apoio da Casa Civil e da InvestSP, lançou as Rotas da Cerveja de São Paulo. A iniciativa conta com 107 cervejarias mapeadas em 55 municípios paulistas e divididas em sete rotas. Uma delas é a Serra do Itaqueri, Cuesta e Centro Paulista, que contempla os municípios de Araraquara, Botucatu, Conchal, Dourado, Piracicaba, Rio Claro e São Pedro.
Investimento na agricultura e experiência “do campo ao copo”
Antes de se produzir uma boa cerveja, é necessário ter uma matéria-prima de qualidade. Pensando nisso, a Lúpulo Guarani, desde 2022, cultiva lúpulo em Araraquara. Juntamente com a Cadeia Produtiva Local (CPL) do Lúpulo, implantaram a Unidade de Beneficiamento de Lúpulo, responsável pela transformação da flor em pellet, matéria-prima utilizada pelas cervejarias. “A Lúpulo Guarani não nasceu como uma cervejaria, mas como um projeto de inovação na agricultura brasileira, unindo agricultura, pesquisa, inovação e cultura cervejeira”, explica Luciana Andréia Pereira, diretora e proprietária da Lúpulo Guarani.
“Como coordenadores do Comitê Industrial da CPL, atuamos em uma das etapas mais estratégicas da cadeia: preservar toda a qualidade do lúpulo para que seus óleos essenciais e alfa-ácidos (compostos químicos naturais encontrados nas flores do lúpulo, responsáveis diretos pelo amargor da cerveja) cheguem às cervejarias com excelência”, complementou. “Ao longo dessa trajetória, desenvolvemos rótulos exclusivos em parceria com cervejarias, aproximando o consumidor da origem da cerveja e mostrando que uma grande cerveja começa muito antes da brassagem – processo de produção da bebida. A cerveja começa no campo”, destacou.
A partir do cultivo, o empreendimento expandiu sua atuação para a criação de produtos que valorizam a matéria-prima nacional, como a Cerveja Ópera Guarani e a inovadora Água Lupulada, bebida sem álcool e sem açúcar que explora os aromas e sabores do lúpulo em uma proposta alinhada às tendências de bem-estar e consumo consciente. Mais do que uma propriedade agrícola, a Lúpulo Guarani atua como um centro de conhecimento e difusão da cultura do lúpulo, promovendo pesquisas, capacitações, eventos e conexões entre produtores, universidades, cervejarias e o mercado.
Além disso, Luciana conta que o local oferece uma experiência completa do campo ao copo. “Durante a Festa da Colheita de Lúpulo e em eventos especiais, os visitantes participam de visitas guiadas à plantação, conhecem o cultivo, a colheita e a Unidade de Beneficiamento, onde acompanham a transformação da flor em pellet”, disse.
“A experiência é complementada por resenhas sensoriais, nas quais o público aprende a identificar os aromas, sabores e características que o lúpulo proporciona à cerveja, compreendendo como cada variedade influencia o resultado da bebida”, complementou a diretora.
O roteiro inclui ainda degustações de cervejas produzidas com lúpulo cultivado na propriedade, harmonizações gastronômicas, palestras técnicas e o contato direto com produtores e mestres cervejeiros. “O objetivo é proporcionar uma vivência inovadora, conectando agricultura, tecnologia, turismo, gastronomia e cultura cervejeira em um único lugar”, comentou Luciana.
Para ela, a participação na Rota da Cerveja amplia o conceito tradicional do turismo cervejeiro. “Mais do que visitar uma cervejaria, o visitante passa a viver uma experiência do Campo ao Copo, conhecendo a origem do principal ingrediente responsável pelo aroma, sabor e amargor da cerveja”. Ela comenta que o Brasil importa 99% do lúpulo que consome, ou seja, ainda é uma cultura recente no país e desperta enorme curiosidade.
“Poucas pessoas tiveram a oportunidade de ver uma plantação, tocar a flor ou compreender como ela influencia diretamente o perfil sensorial de cada estilo de cerveja. Nossa proposta é transformar essa visita em uma experiência imersiva e educativa, onde o público entende como os diferentes cultivares criam notas cítricas, florais, frutadas, herbais e resinosas, conectando agricultura, ciência, gastronomia, turismo e cultura cervejeira. É uma inovação que posiciona Araraquara como um destino único dentro das Rotas da Cerveja de São Paulo”, explicou.
A Lúpulo Guarani tem acessibilidade para cadeirantes e oferece atendimentos em português, inglês e/ou espanhol. Para mais informações, acesse o site oficial www.lupuloguarani.com.br
De uma paixão em comum entre um casal a um negócio de sucesso
O que você faria em nome de um sonho ou de uma paixão?
O casal Nathalia Galante e Rafael Varussa, ambos de 37 anos, moravam em São Paulo e tinham a vontade de voltar para o interior. “Queríamos empreender e precisávamos achar uma paixão em comum: a cerveja. Estudamos o mercado, a cultura cervejeira da cidade, planejamos e viemos para Piracicaba para empreender no setor em 2019”.
Então, nasceu a Em Nome do Malte, um espaço onde cerveja, gastronomia, arte e convivência estão conectados. Localizada em Piracicaba, a cervejaria tornou-se uma referência para quem busca experiências autênticas e contato direto com o universo craft (faça você mesmo). Seu portfólio reúne estilos clássicos e contemporâneos, incluindo IPAs aromáticas, lagers refrescantes, sours frutadas e edições sazonais que exploram a criatividade e identidade própria. Cada rótulo é desenvolvido para proporcionar uma experiência sensorial única. Anualmente, a cervejaria produz entre 20 mil a 50 mil litros.
“Hoje a Em Nome do Malte entrega a experiência completa para os amantes da cerveja autoral. Temos o controle total da criação e execução das receitas das cervejas em nossa fábrica e no nosso brewpub, temos serviço com atendimento especializado e uma experiência gastronômica única”, explicam. “O pub é um ambiente acolhedor. Lá, você consegue ver a fábrica e provar os 12 estilos de cerveja superfrescos com sabores únicos. Prezamos pela alta qualidade de insumos selecionados e uma experiência única para nossos fiéis clientes”, complementam.
Além da produção cervejeira, o brewpub (bar ou restaurante que possui uma pequena fábrica própria e produz a cerveja servida no local) promove degustações, eventos temáticos, lançamentos de rótulos e atividades culturais. Assim, fortalece a conexão entre turismo gastronômico, cultura local e cerveja autoral. Sobre a participação nas Rotas da Cerveja, os empreendedores destacam que “hoje o setor de cerveja autoral tem uma fatia muito pequena do mercado e tem um horizonte infinito para crescimento. Portanto, movimentar e unir os players é fundamental para o crescimento do setor”.
O local tem acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida.
Cervejaria que homenageia os pets
Criada por Isadora Faccio, de 32 anos, e Guilherme Donato, de 33 anos, para romper paradigmas e mostrar que cerveja autoral também pode ser divertida, descontraída e cheia de personalidade, a Cachorro Magro, em Araraquara, encontrou inspiração justamente nos melhores amigos do homem. Seus rótulos homenageiam cães próprios, de clientes e de amigos, transformando histórias afetivas em cervejas marcantes. “Começamos a fazer cerveja durante a pandemia e aos poucos, com cada vez mais aceitação dos amigos e família, nossas “cobaias”, a ideia de fazer o hobby virar profissão foi se consolidando”, contam.
“A virada de chave foi quando o Guilherme, nosso cervejeiro, largou as salas de aula e sua carreira de professor para se dedicar inteiramente à cervejaria. Hoje estamos aqui, acumulando experiências, amigos, clientes e até alguns prêmios neste mercado desafiador, porém delicioso”, comenta Isadora.
Integrante da Rota da Cerveja de Araraquara, a cervejaria produz rótulos autorais que combinam criatividade e qualidade, sempre acompanhados pela proposta de proporcionar bons momentos e experiências memoráveis. Entre seus destaques está a premiada Belchior IPA, reconhecida entre os apreciadores da marca.
“Hoje, a Cachorro Magro oferece visitação guiada e degustação com agendamento prévio. Além disso, realizamos eventos em nosso espaço, chamado carinhosamente de ‘Canil’. Os eventos no Canil contam com várias opções de chope, alimentação e atrações musicais”, explica a empreendedora.
Os proprietários informam que o visitante pode conferir a agenda nas redes sociais da cervejaria, assim como na agenda de eventos externos.
“Também estamos presentes em diversos eventos externos abertos ao público, e somos presença garantida em importantes eventos culturais e tradicionais da cidade. Além disso, a cervejaria também atende no delivery de chopp e eventos particulares, como aniversários, casamentos, eventos corporativos, entre outros”, comenta Guilherme.
Para eles, participar das Rotas da Cerveja é uma oportunidade muito interessante para a Cachorro Magro. “Tanto pela exposição da marca que teremos por estar na Rota e pelas oportunidades de negócio que isso pode gerar para nós, quanto pelo networking com as outras cervejarias participantes”. O local é acessível para pessoas com deficiência motora.
De produção caseira à referência cervejeira no município
Pioneira em Conchal, a Cervejaria Toma Uma foi a primeira cervejaria autoral da cidade e há mais de uma década participa do fortalecimento da cultura cervejeira local. Com produção própria e atuação regional, a marca tornou-se uma referência para os apreciadores da bebida no município. “A ideia surgiu quando eu e meu sócio Diego Henrie Planche, que adoramos cerveja, resolvemos produzir cerveja no fundo de casa e crescemos. A cada leva feita, produzimos na fábrica 2 mil litros por mês, que é o que temos hoje”, conta Ralphy Bonon Chaib. O empreendedor comentou que o foco da Toma Uma é na qualidade absoluta e não em grandes volumes.
A cervejaria dedica-se à produção de cervejas autorais para comercialização e atendimento a eventos, mantendo uma relação próxima com seus consumidores e contribuindo para a difusão da cultura cervejeira na região. As visitações são realizadas sempre às sextas feiras, às 17h, mediante agendamento. Elas permitem que os visitantes conheçam a história da marca e seus processos de produção. Para eles, é importante participar das Rotas da Cerveja para angariar novos clientes e divulgar a cerveja autoral.
Um local com tradições italianas e ideal para levar amigos e familiares
A Módena Cervejaria nasceu da paixão pela produção caseira de cerveja e do desejo de criar um espaço voltado ao encontro entre amigos e familiares. Inaugurada em 2024, a cervejaria homenageia as origens italianas da família fundadora e traz em seu nome uma referência à região de Módena, na Itália.
“Comecei fazendo cerveja em casa por curiosidade de aprender e entender o processo. As receitas foram dando certo e os conhecidos foram consumindo e elogiando. Até que chegou um momento em que falei: ou vai ou racha, e decidi encarar o desafio de empreender em um brewpub”, conta Eduardo Modenese Filho, fundador da Módena Cervejaria junto com sua esposa, Flávia Regina Carmoni Modenese.
Instalada em Botucatu, a cervejaria opera no formato brewpub, produzindo e comercializando seus próprios rótulos em um ambiente acolhedor e descontraído. A carta de cervejas acompanha as estações do ano, oferecendo estilos mais leves para primavera e verão e opções mais encorpadas nos meses mais frios.
“Como um brewpub, a Módena oferece em sua estrutura a experiência de degustar uma cerveja produzida no próprio local, sendo visível toda a área de produção. Além do cardápio de cervejas, oferecemos drinks, porções e paninis italianos, especialidade da casa. O intuito foi ter uma pegada italiana, uma vez que o nome e a arquitetura refere-se à minha descendência italiana e do meu pai”, explica Eduardo.
Os petiscos e paninis são cuidadosamente elaborados para harmonizar com os chopes produzidos no local. Por ano, a Módena produz entre mil e 5 mil litros. Para os empreendedores, participar das Rotas da Cerveja tem uma importância tremenda, “pois torna visível em todo o Estado de São Paulo as cervejarias existentes e o trabalho produzido por apaixonados por cerveja autoral”, finaliza Eduardo.
A Módena Cervejaria possui acessibilidade para cadeirantes. Para saber mais, acesse o Instagram: https://www.instagram.com/modena_cervejaria/
Todos os estabelecimentos presentes nas Rotas da Cerveja de São Paulo estão listados no link: https://www.rotasdesp.sp.gov.br/rotasdesp/as-rotas/rotas-da-cerveja





