Anuncie aqui
Anuncie aqui

“Wollying”

Não se assuste o leitor: a palavra apenas junta woman (mulher) e bullying para designar nada mais, nada menos do que o assédio moral praticado por mulheres contra outras mulheres, com efeito sobre a autoestima, a confiança e a vida das vítimas. Observar a vida alheia em tempo real, comparar corpos, relacionamentos, viagens, trabalho, poder e dinheiro, com cada vez mais exposição e engajamento, multiplica as ocasiões de wollying.
A jornalista Luciana Garbin (“Estadão”, 12/9) chamou a atenção para o tema ao lembrar aquela colega que virou alvo de comentários sobre o corpo, a roupa, a idade ou um posicionamento, a que vive recebendo ataques virtuais ou a que saiu do grupo de WhatsApp da escola porque nunca era incluída nas conversas.

Anuncie aqui

Fala-se, portanto, de práticas de assédio, intimidação e violência psicológica cometidas entre mulheres de modo intencional e repetitivo, de forma explícita ou disfarçada: insultos, apelidos pejorativos, ameaças, isolamento social premeditado, piadas maldosas, fofoca, difamação e calúnia.

Há quem veja no wollying o oposto da sororidade, entendida como a união, o apoio mútuo e a solidariedade entre mulheres, baseados na empatia e na luta coletiva contra o machismo. Não por acaso, muitas intrigas entre mulheres têm origem no próprio pensamento machista.

A literatura sobre o tema ainda é escassa, sobretudo a jurídica. Um dos poucos trabalhos acadêmicos, apresentado à ISMA-BR (International Stress Management Association no Brasil), define o wollying como violência simbólica de uma mulher, ou de um grupo de mulheres, sobre outra ou outras.

No Direito, o fenômeno se aproxima de figuras já conhecidas: o assédio moral no trabalho; o bullying, que ganhou tipo penal próprio com o crime de intimidação sistemática (art. 146-A do Código Penal, incluído em 2024); a violência psicológica contra a mulher, também crime (art. 147-B do Código Penal); e a discussão sobre a aplicação da Lei Maria da Penha quando a agressora é mulher.

Na capital paulista, a Lei nº 18.109/24 considera wollying as atitudes entre mulheres que tragam “ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação e exclusão no âmbito social, corporativo e familiar”.
Decisões judiciais pesquisadas não usam a palavra “wollying”: as condutas são julgadas sob outras categorias, como assédio moral, injúria, difamação, violência psicológica ou Lei Maria da Penha, em casos ocorridos no trabalho, no âmbito doméstico ou familiar, na escola ou em ambiente digital.

O assunto não é –nem poderia ser – de pouco interesse. Só neste ano houve várias movimentações país afora. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul aprovou, em primeira votação, projeto de lei que prevê ações de saúde mental e de enfrentamento à violência psicológica entre mulheres. No Paraná, a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia aprovou proposta semelhante. E a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou o parecer da deputada Maria Rosas sobre o PL 4330/2024, que leva o combate ao wollying às escolas.

Em março, reportagem da CNN Brasil tratou da delegação brasileira que apresentou o conceito na ONU, com o objetivo de colocar o país como protagonista no debate internacional. A matéria destaca que o termo trata exclusivamente de condutas de mulheres contra mulheres, o que o diferencia de outros abusos ligados ao machismo.[C6.1]
O nome é novo, mas o problema é velho; o que mudou foi a escala, impulsionada pelas redes sociais e pelo scroll infinito.

Colaborador: Dr. Willian Nagib Filho advogado e sócio do escritório de advocacia; Nicolau Laiun, Lorenzon e Nagib Advogados

Anuncie aqui
Anuncie aqui

Unimed Rio Claro apresenta:

No episódio #32 do Podcast Unimed Rio Claro, o papo é sério, mas a conversa é leve: saúde mental e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Com apresentação do Dr. Nelmer Rodrigues, reunimos um time de especialistas para compartilhar experiências, reflexões e orientações práticas para uma rotina mais saudável e equilibrada:

    ✨ Dra. Nair Helena Cerri Hebling – Fisiatra
    ✨ Dra. Daniela Hildebrand – Neurocirurgiã
    ✨ Gislaine Ap. Rocha – Psicóloga

Um episódio acolhedor, informativo e cheio de boas trocas para quem busca mais bem-estar no dia a dia.

Dê o play e venha cuidar da sua saúde mental com a gente.

Acesse nossos canais

Últimas notícias

Rio Claro abre inscrições para a escolha da Corte Momesca do Carnaval 2027 Bicentenário

Candidatos podem se inscrever até 6 de novembro pela internet; concurso gratuito acontece no dia 20 de novembro, no...
Anuncie aqui

Jogue e descubra a nossa palavra do dia!

Mais notícias

Anuncie aqui
Anuncie aqui

Câmara aprova projeto sobre Lipedema em segunda discussão

Proposta de autoria dos vereadores Néia Garcia e Elias Custódio busca ampliar o diagnóstico precoce, o tratamento e a atenção integral à saúde das...

Caixa de energia escondia mais de 300 porções de drogas; homem...

Abordagem da Polícia Militar no Jardim das Paineiras terminou com a apreensão de cocaína, crack, maconha e outras substâncias; mulher abordada foi ouvida e...

Agressão entre adolescentes em escola de Rio Claro termina com atendimento...

Estudantes de 14 anos se envolveram em ocorrência no Parque Universitário; vítima levou dois pontos no ferimento e foi encaminhada para exame de tomografia. Uma...
Anuncie aqui

SP 304 terá dois desvios por cinco meses para obras de...

Alteração no fluxo de veículos no trecho entre São Pedro e Santa Maria da Serra terá início nesta segunda-feira. A Eixo SP Concessionária de Rodovias,...

Nicole Nagib transforma vivências em música e conquista novo capítulo na...

Filha da cantora Ariane Rossetti Nagib e do músico Willian Nagib Filho, artista cresceu em uma família ligada à música e celebra o sucesso...
Anuncie aqui