Mandado de busca revelou drogas fracionadas para venda, sistema de monitoramento e uma confissão que surpreendeu os policiais durante a operação conjunta da Polícia Civil e Polícia Militar.
Na tarde desta sexta-feira (31), o que parecia ser apenas mais um cumprimento de mandado de busca acabou revelando um verdadeiro “cardápio do tráfico” escondido dentro de uma residência no Jardim Nova Torrinha. E, desta vez, nem o tradicional pote de arroz escapou da investigação.
A operação foi realizada pela Polícia Civil de Torrinha, com apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo, em cumprimento a um Mandado de Busca e Apreensão expedido pela Justiça da 4ª Região Administrativa Judiciária de Piracicaba.
Ao chegarem ao imóvel localizado na Rua Fernando Spigolon, os policiais encontraram o portão trancado e precisaram arrombá-lo para cumprir a ordem judicial. A partir daí, começou uma busca minuciosa por todos os cômodos da residência.
Logo em um dos quartos, o Cabo Grigolin encontrou uma sacola plástica escondida dentro de uma cômoda. No interior havia 19 porções de maconha, sendo uma avulsa e dezoito embaladas em sacos do tipo zip lock, além da quantia de R$ 30 em dinheiro.
Enquanto a vistoria prosseguia, chegaram ao imóvel uma mulher e seu filho. Segundo o registro policial, ambos demonstraram saber exatamente onde havia mais drogas escondidas. Eles informaram aos policiais que existia entorpecente armazenado dentro de um recipiente utilizado para guardar arroz na cozinha.
Sem muito suspense, ela retirou do recipiente uma embalagem contendo 31 porções de cocaína, todas já fracionadas e prontas para comercialização.
Na sequência, o filho declarou espontaneamente aos policiais que a cocaína era de sua propriedade e que seria distribuída durante uma festa prevista para o fim de semana.
Como se não bastasse, os investigadores ainda localizaram um sistema de monitoramento por câmeras instalado em um poste da residência, equipamento que permitia acompanhar a movimentação de pessoas e veículos nas proximidades do imóvel. Também chamou a atenção um trailer amarelo estacionado em frente à casa, que, segundo informações obtidas durante a diligência, pertenceria a um homem conhecido pelo apelido de “Nal”, apontado pelas autoridades como indivíduo de elevada periculosidade.
Diante do conjunto de provas, da forma como as drogas estavam embaladas e do conhecimento demonstrado pelos dois investigados sobre os locais onde os entorpecentes eram escondidos, o delegado Luiz Gonzaga Bovo Junior determinou a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Ao todo foram apreendidas 31 porções de cocaína, 19 porções de maconha e R$ 30 em dinheiro.
Após passarem por exame cautelar no Hospital Municipal de Torrinha, a mulher e o filho foram encaminhados à carceragem de Rio Claro, onde permanecem à disposição da Justiça para audiência de custódia.
Durante a ocorrência, outro cenário preocupou as autoridades. Dois filhos menores de 13 e 11 anos, viviam na residência, que, conforme registrado pelos policiais, apresentava condições extremamente insalubres e inadequadas para abrigar crianças. O Conselho Tutelar foi imediatamente acionado para adotar as providências necessárias e garantir a proteção dos menores.
Mais uma vez, a velha máxima parece se confirmar: esconder droga no arroz pode até parecer uma boa ideia para quem tenta despistar a polícia, mas quando o tempero da investigação é caprichado, a receita do crime dificilmente termina bem.





