Através de denúncia do Ministério Público; Polícia Civil localiza sítio onde 7 pessoas eram mantidas em regime de escravidão.
Chegou ao conhecimento da Polícia Civil de Rio Claro, através de expediente oriundo do Ministério Público que, no bairro Alta Cajarama (distrito de Itapé). Havia uma antiga clínica de reabilitação (Casa da Paz) que mantinha diversas pessoas em situação degradante.
De posse dessa informação a equipe de Polícia Judiciária composta desta Autoridade Policial, Escrivã de Polícia e dos Investigadores de Polícia se dirigiram até o local para averiguar a denúncia.
Lá chegando a equipe foi recebida pelo “ora” indiciado; que franqueou a entrada e permitiu o trânsito pela propriedade.
Ele apresentou as dependências do sítio e informou que no local não funcionava mais clínica. Disse, ainda, que no presente momento ele trabalhava com reciclagem.
No mais, o indiciado narrou que alguns antigos residentes da Clínica ainda moravam no sítio, pois suas famílias os haviam abandonados.
Entretanto, disse que essas pessoas não trabalhavam com reciclagem, apenas auxiliavam com os afazeres do sítio.
A equipe iniciou uma vistoria pelo local apontado como o dormitório dos residentes. Este praticamente inabitável. Sem ventilação, camas amontoadas e algumas sem colchões, apenas um banheiro bastante malcuidado.
Em conversa informal com os residentes, descobrimos que alguns possuem deficiência mental e física. Ainda, tinham muito medo de contar o que realmente acontecia ali, sempre olhando para os lados e apontando com o olhar para o indiciado.
Diante da situação apresentada a equipe Policial achou prudente, trazer o indiciado e 5 (cinco) dos residentes até o plantão policial.
Como de protocolo foi isolado residentes (Benedito, Reinaldo, Jhonatan, Manoel e Anderson) do indiciado e, então, eles começaram a falar o que realmente ali acontecia.
As narrativas caminham no mesmo sentido. Todos disseram trabalhar de manhã até o anoitecer sem receber nenhum dinheiro pelo esforço despendido.
Era dado às vítimas apenas alimentação (de qualidade ruim) e local para dormir. Uma das vítimas, a mais idosa e debilitada (anda com muita dificuldade) disse que por muitas vezes acabava dormindo sentado em uma cadeira.
As vítimas disseram ainda que os residentes eram impedidos de sair do sítio e de manter comunicação com os familiares. Ainda, que as vítimas tinham que entregar os documentos ao indiciado (fato esse confirmado por esta Autoridade Policial – os documentos ficavam com o indiciado).
Diante de todas as informações a Autoridade Policial formou sua convicção.
Ficou evidente que o indiciado mantinha as vítimas em condição análoga a de escravo (artigo 149 do Código Penal), motivo pelo qual foi preso em flagrante delito e encaminhado ao setor carcerário local, ficando à disposição da justiça.
Os órgãos de apoio municipal foram acionados, comparecendo na Unidade Policial para encontrar a melhor solução para as vítimas (CREAS; CAPS; Prefeitura).
A Perícia foi acionada e compareceu no sítio de modo a constatar a situação em que as vítimas eram mantidas.
Com a perícia foram os investigadores Bruna e Secco. Os investigadores trouxeram os últimos dois residentes para o Plantão (como são pessoas com deficiência mental, deixaram de ser ouvidos).
Foram expedidas guias de IML para todas as vítimas.