Tiago Oliveira, de 30 anos, não tinha comorbidades e estava em UPA de São Carlos (SP). Hospitais não tinham leitos, mas estado alega que paciente não tinha condições para transferência.
A irmã do homem que morreu de Covid-19 na sexta-feira (12), em São Carlos (SP), relatou os últimos momentos de desespero do irmão em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, neste sábado (13).
Tiago Oliveira, de 30 anos, não conseguiu uma vaga de Unidade Terapia Intensiva (UTI) porque os hospitais da cidade e da região estavam lotados, segundo a prefeitura. Ele não tinha comorbidades.
“Meu irmão morreu por falta de UTI mesmo. Eu fiquei lá o tempo inteiro e é horrível você ver a pessoa agoniada, tentando respirar e você não ter o que fazer”, lamentou Adriana de Cassia Oliveira Constantin.
Contudo, a Secretaria de Estado de Saúde, responsável pelas transferências da rede pública, alegou que não havia condições para a transferência por conta da gravidade do caso.
Trajetória em busca da vida
De acordo com o tio Alexandre Camargo, o primeiro sintoma de Covid-19 do sobrinho foi a garganta raspando. “Ai já foi febre alta, começou a tossir. Ficou em casa e depois passou mal, fez uma semi-internação na UPA”, disse.
Como Oliveira não apresentava nenhum sinal de melhora, a família resolveu pagar um exame particular.
“O exame mostrou comprometimento do pulmão dele. O médico fez uma carta para o Hospital Escola e falou que tinha que encaminhar urgente. Ele foi no Hospital Escola, negaram, disseram que não tinha vaga. A gente foi com ele à noite na UPA, mandaram para casa porque a saturação estava boa. No outro dia eu vim na minha mãe buscar ele, fiquei a noite inteira lá, eles mandando pedido de UTI para vários lugares, Araraquara, Matão, Ribeirão Preto, tudo foi negado”, disse a irmã.
“Eu não pude dar um abraço no meu filho, não pude ver ele, meu Deus. Eu estou sofrendo muito, não tenho mais palavra”, desabafou a mãe de Tiago, Sônia Camargo.
O que diz a prefeitura
O Departamento de Gestão e Cuidado Hospitalar (DGCH) da Secretaria Municipal de Saúde informou que o paciente foi atendido na UPA do Santa Felícia, na quinta-feira (11), onde usava oxigênio, porém, por conta da saturação e da piora do quadro clínico, foi inserido no sistema Cross, na busca por um leito de UTI.
Segundo a prefeitura, o paciente, com quadro confirmado de Covid-19, deu entrada na UPA Santa Felícia às 9h de quinta-feira (11), onde recebeu os primeiros cuidados e fazia uso de oxigênio.
O paciente foi inserido no Núcleo Interno de Regulação (NIR), isto é, no sistema de regulação de vagas do município de São Carlos, às 10h27, para acolhimento em leito de enfermaria. Com o agravamento do quadro no decorrer do dia, o paciente acabou sendo inserido também na Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS), órgão de regulação de vagas do Estado de São Paulo, para leito de UTI.
“Com esta última inserção, os hospitais do município que são referência para Covid-19, além de outra unidade hospitalar da região, responderam a solicitação, informando que não era possível atender a demanda, dado que todas as unidades já trabalhavam em seu limite operacional”, disse a nota.
O paciente foi mantido em isolamento na UPA Santa Felícia e recebeu os cuidados das equipes médica e de enfermagem até a madrugada de sexta, quando morreu por volta das 5h.
O que diz o Estado
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde, responsável pela Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross), negou que houve falta de vaga para Oliveira. Alegou que o paciente apresentava quadro clínico grave desde o momento em que foi inserido no sistema e que não havia condições para transferência.
Declarou ainda que as informações sobre o quadro de saúde do paciente estavam sendo monitoradas pela Cross para a busca imediata da vaga, caso houvesse condições clínicas, mas que o caso dele evoluiu rápido e ele foi à óbito.
Fonte: G1 São Carlos/Araraquara






