Kátina Souza teve o diagnóstico da doença há dois anos e continuou visitando hospitais mesmo durante o tratamento. História da mãe virou inspiração para a filha de 8 anos.
Acostumada a levar arte para dentro dos hospitais e alegrar pacientes, uma atriz palhaça de Rio Claro (SP) acabou se tornando uma paciente. Kátina Souza usou a experiência para enfrentar o câncer de mama e continuou as visitas mesmo em tratamento. “A arte me mantém viva”, disse.
Diagnóstico de câncer
Há dois anos, Kátina teve o diagnóstico da doença. “Fiquei em estado de choque, parada. Eu perguntei se eu ia morrer. Eu tenho uma filha de 8 anos. Ele falou que não, que estava no começo, que ia dar tudo certo. Ai eu pensei: ‘vou ter que encarar essa doença. como vou encarar? Vou ter que passar’”, disse.

Ela enfrentou o tratamento com a ajuda da arte e manteve o trabalho em hospitais e circos. “Ela me manteve viva. Quando você toma uma dose de quimioterapia, que você não sente seu corpo e parece que de fato você vai morrer, eu souve que meu trabalho, uma coisa que eu gosto, me dava força. E mesmo com todas as dores, dificuldade, eu ia”, disse.
“Como eu sempre trabalhei como palhaça e palhaça de hospital, eu sempre acreditei que o bom humor era capaz de mudar as coisas, que com esse estado de palhaço, de alegria, isso faz bem. Então na prática eu tive que por em mim, porque eu fiquei doente”, destacou.
Ela diz ter encontrado forças até nos momentos mais difíceis. “Eu estava careca, sem cílios, sem sobrancelha, inchada. como vou? Ah, eu vou de peruca”.

Volta ao hospital como palhaça
Durante dois anos, a Kátina fez o tratamento contra o câncer na Santa Casa de Rio Claro. Por um ano, passou pelas sessões de quimioterapia toda semana, mas agora, pela primeira vez, a paciente deu lugar à palhaça Edufina.
“Não tem como explicar. Eu achei que não fosse mais voltar para o hospital, por conta de tudo o que passei. Como é que eu vou abordar, a pessoa está num momento de dor, eu sei o que eles estão passando, eu estive ali”, disse.
“Muito legal. O pessoal ficou animado. Bom pra animar e cortar aquele arzinho triste”, disse a operadora de caixa Judite do Carmo.
“É diferente de ir no circo, quem vai no circo quer dar risada e quem está no hospital está doente. A gente tem que ter esse cuidado, essa sensibilidade de não invadir esse espaço e chegar de mansinho. Como eu já estive como paciente, isso pra mim é muito mais claro, como eu abordo”, afirmou.

Inspiração para a filha
No espetáculo da vida, Catina soube tirar sorriso do choro e encontrou forças para continuar. A história da mãe virou inspiração para a filha, de 8 anos. Lorena já se encantou pelo mundo do circo.
“Eu fico boba quando vejo ela fazendo as coisas. Acho que é importante, os pais são espelhos pros filhos. Se a gente está fazendo uma coisa que é legal e ela consegue fazer isso”, afirmou.
O sonho da menina está na ponta da língua: “É levar arte para mais gente”, disse.
Fonte: G1 São Carlos e Araraquara





