Boletim de Ocorrência revela que desentendimento começou após um esbarrão durante a dança; testemunhas relataram ameaças antes dos disparos e Polícia Civil investiga participação de outros envolvidos
Novos detalhes constantes no Boletim de Ocorrência da Polícia Civil revelam como uma discussão iniciada durante uma dança em um casamento cigano terminou em um intenso confronto armado que resultou na morte de Breno Gesus Alves Dias, de 22 anos, na tarde da última terça-feira (28), no Centro Comunitário do distrito de Ajapi, em Rio Claro.
Segundo o documento, a confusão teve início enquanto os convidados participavam das danças típicas da cerimônia.
Uma das testemunhas relatou que dançava com Breno, enquanto outro participante dançava com uma mulher não identificada. Em determinado momento, ocorreu um esbarrão entre os dois homens. Conforme o boletim, o outro envolvido interpretou o contato como uma provocação proposital, dando início a uma discussão.
Ameaças antes dos disparos
De acordo com os depoimentos prestados à Polícia Civil, a discussão rapidamente ganhou contornos mais graves.
As testemunhas relataram que três homens sacaram armas de fogo e passaram a ameaçar Breno, apontando as armas em sua direção e exigindo que ele se ajoelhasse.
Ainda segundo os relatos constantes no boletim, Breno recusou-se a atender à exigência e decidiu deixar o local, caminhando em direção ao portão principal do Centro Comunitário.
Foi nesse momento que a situação saiu completamente do controle.
Troca de tiros
Conforme as testemunhas ouvidas pela Polícia Civil, quando os envolvidos já estavam próximos da saída do evento, teve início uma intensa troca de tiros.
Os depoimentos apontam que três homens efetuaram diversos disparos contra Breno. O boletim também registra que a própria vítima estava armada e revidou aos disparos.
Durante o confronto, Breno foi atingido por um tiro na região lateral direita do tórax.
As testemunhas afirmaram não ser possível determinar qual dos disparos foi o responsável por atingir a vítima, em razão da quantidade de tiros efetuados durante o confronto.
Uma das testemunhas declarou ainda ter visto um dos envolvidos utilizando uma espingarda calibre 12, enquanto os demais portavam armas curtas.
Vestígios revelam violência da ocorrência
O trabalho realizado pela perícia reforça a intensidade do tiroteio.
No Centro Comunitário foram encontrados diversos vestígios balísticos, entre eles:
21 estojos de munição calibre .380;
8 estojos de munição calibre 9 mm;
4 estojos de munição calibre 12;
2 munições intactas calibre 9 mm;
projéteis dos calibres .38, .380 e 9 mm.
A quantidade de cápsulas recolhidas ajuda a explicar o pânico vivido pelos moradores de Ajapi, muitos dos quais relataram ter ouvido uma sequência ininterrupta de disparos durante mais de um minuto.
Socorro e morte
Após o confronto, Breno foi socorrido por pessoas que estavam na festa e levado à Santa Casa de Rio Claro.
Ele chegou à unidade hospitalar com vida, porém inconsciente, sendo atendido pela equipe médica. Apesar dos esforços, não resistiu aos ferimentos.
Prisão dos suspeitos
Logo após o crime, equipes da Polícia Militar iniciaram uma força-tarefa para localizar os suspeitos.
Com base nas informações levantadas ainda no local da ocorrência, dois veículos utilizados na fuga foram identificados e localizados na Rodovia Washington Luís, nas proximidades da praça de pedágio de Araraquara.
Quatro pessoas foram presas durante a operação.
Segundo o Boletim de Ocorrência, dois investigados foram autuados em flagrante por homicídio qualificado mediante emprego de arma de fogo. Outras duas pessoas responderão por porte ilegal de arma de fogo, após a apreensão de um revólver calibre .38 durante a abordagem.
A Polícia Civil representou pela conversão das prisões em flagrante em prisões preventivas, sustentando que a medida é necessária para garantir a ordem pública, preservar a instrução criminal e evitar eventual intimidação de testemunhas.
Investigação continua
As investigações prosseguem para esclarecer todos os detalhes da dinâmica dos fatos, identificar a participação individual de cada envolvido e localizar um terceiro suspeito citado pelas testemunhas.
O Cidade Azul Notícias optou por preservar a identidade dos investigados nesta reportagem, em respeito aos princípios da responsabilidade jornalística e à legislação aplicável, divulgando apenas o nome da vítima fatal, oficialmente identificada pelas autoridades.





