Candidato do Missão afirma que país precisa de poder nuclear para ganhar protagonismo internacional e também propõe nova reforma da Previdência, cortes de gastos e medidas mais rígidas contra o crime
A entrevista de Renan Santos, candidato do Missão à Presidência da República, à Globo, nesta quarta-feira (26), foi marcada por propostas que certamente vão alimentar o debate eleitoral — e algumas delas prometem provocar bastante discussão.
O principal destaque foi a defesa de que o Brasil desenvolva armamento nuclear. Questionado sobre declarações anteriores, Renan reafirmou que considera necessário discutir a possibilidade de o país ter uma bomba atômica como instrumento de soberania e força internacional.
Segundo o candidato, as grandes potências mundiais possuem armas nucleares e, por isso, ocupam posição de destaque nas relações internacionais. Ele também defendeu a saída do Brasil do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Apesar disso, reconheceu que o país não teria condições de desenvolver armas militares desse tipo nos próximos dez anos.
STF também entra no alvo
Outro ponto polêmico foi a relação com o Supremo Tribunal Federal. Renan voltou a afirmar que, se eleito, não pretende cumprir uma decisão judicial que considere ilegal, argumentando que ninguém estaria obrigado a obedecer a uma determinação que viole a lei.
A declaração abre um debate delicado sobre os limites entre os Poderes e sobre quem teria autoridade para definir quando uma decisão judicial é ilegal.
Nova reforma da Previdência
Na economia, o candidato afirmou que pretende promover uma nova reforma da Previdência, além de realizar cortes de gastos públicos.
Renan também manteve a promessa de reduzir cerca de R$ 1 trilhão em despesas, com o objetivo de controlar a trajetória da dívida e reorganizar as contas públicas.
Segurança em tom de guerra
Na área de segurança pública, o discurso também foi de endurecimento. Renan prometeu combater as áreas dominadas por facções criminosas e defendeu medidas inspiradas na política de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele.
Entre as propostas estão a utilização do estado de defesa em regiões dominadas pelo crime e a construção de dez novos presídios federais, com investimento estimado em R$ 6 bilhões.
A entrevista, conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli, apresentou ao eleitor um candidato que aposta em propostas de forte impacto: bomba atômica, reforma da Previdência, cortes bilionários, endurecimento contra o crime e uma relação mais confrontadora com decisões judiciais.
Se depender de Renan Santos, a campanha presidencial definitivamente não será uma disputa de propostas discretas. O arsenal de ideias — desta vez, em sentido quase literal — promete render muita discussão até as urnas.





