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Símbolo do pecado, luxúria, prazer e poder para muitos, para outros é apenas uma necessidade à sobrevivência. Azeita ou azeda as relações, não importa se a discussão é no boteco, em casa com a “patroa” ou mesmo nos bancos universitários.

A voz dominante até dias atrás é no sentido de crescer e preservar patrimônio. A pergunta que se faz é quanto é necessário ou suficiente para se viver bem? É possível estabelecer um patamar a partir do qual o dinheiro poderia estar disponível em favor dos outros menos aquinhoados?

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É até difícil analisar o tempo presente quando se está inserido nele, mas uma coisa é certa, tudo deve mudar, e muito! O capitalismo precisa se transformar em algo mais fraterno, humano e colaborativo, até porque, diante da pandemia, fácil perceber que o mais importante não é o dinheiro, mas sim a própria vida.

Então vamos lá: pouco antes do anúncio do Corona 19, a Forbes já noticiava um aumento no número de bilionários em progressão geométrica, sendo 200 deles conhecidos só aqui no Brasil. Há, portanto, dinheiro de monte nas redondezas!

Ora, prosperidade não é pecado e pode ajudar a transformar uma sociedade, uma comunidade, ou um micro sistema em algo justo, até porque da riqueza podem surgir coisas positivas em termos de saúde, conhecimento, lazer e cultura.

Nos Estados Unidos é tradição Bill Gates, Warren Buffett e George Soros, só para citar alguns, doarem bilhões sistematicamente para projetos variados. Nelson Willians, em matéria na Forbes Edição 71, acredita que esse modelo solidário contagiará gente graúda de outros países, como aqui no Brasil.

É verdade. Basta leitura da matéria do Valor Econômico de novembro de 2019 para entender como vem sendo a postura de algumas das famílias mais ricas do país no trato de suas polpudas heranças.

A nova geração de milionários se compromete a doar 10% de suas heranças nos cinco anos posteriores ao recebimento, num sistema de redistribuição de riqueza que pode alavancar inúmeros projetos sociais e tecnológicos, ante a carência de recursos dos poderes públicos.

Na forma de uma organização social, a Generation Pledge (algo como compromissos de geração) busca reunir herdeiros de grandes fortunas em torno de um propósito comum, gente que assumirá o compromisso de doar ao menos 10% de sua herança nos cinco anos subsequentes ao recebimento, além de influenciar também as escolhas que esses herdeiros farão para destinar o restante do patrimônio. A ideia é chegar a 300 pessoas comprometidas nos próximos três anos, incomodadas que estão com as gritantes diferenças sociais enquanto guardam patrimônio que muitas vezes nem conseguem mensurar ao certo e/ou dele fazer uso.

Ao largo das próximas duas décadas irá acontecer a maior transferência de riqueza entre as gerações da história da humanidade e é aí que está o grande potencial da Generation Pledge: ao analisar o perfil e idade dos 206 bilionários do Brasil (Silvio Santos e o Luciano da Havan dentre eles) nota-se que a grande maioria já tem idade avançada (2 deles com 92 anos). É necessário fazer o trabalho de conscientização desde agora entre as gerações e não ficar assistindo até que ocorra a sucessão pós-morte.

Enquanto esse projeto caminha, e já que ganhar dinheiro e se tornar rico ficou para 2021 (em 2020 a meta é sobreviver) a retração provocada pela pandemia e provável colapso do sistema de saúde já fez surgir bons exemplos de um novo capitalismo consciente: empresários e grupos (especialmente bancos e construtoras) cientes de suas responsabilidades têm doado milhões de reais para socorrer vários setores impactados pela paralisia nos negócios e ausência de estrutura médico hospitalar para tratar os infectados.

Enfim, não há outro caminho a não ser a concepção de que quando o dinheiro vai na frente, todos os caminhos se abrem na direção de uma sociedade (um pouco) mais justa (W. Shakespeare).

William Nagib Filho-Advogado, é Conselheiro da OAB/SP

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