Mário Gabriel Moreira dos Santos, de 26 anos, conhecido como Marinho, morreu na madrugada desta quarta-feira após a motocicleta que conduzia bater contra um poste; passageira ficou gravemente ferida.
A madrugada desta quarta-feira (12) silenciou uma batucada que fazia parte da história recente do Carnaval de Rio Claro.
Mário Gabriel Moreira dos Santos, de 26 anos, conhecido carinhosamente no meio do samba como Marinho, morreu após um grave acidente de motocicleta na Avenida Visconde do Rio Claro, na região central da cidade.
Mestre de bateria da escola de samba Ritmo Alvinegro, Marinho era conhecido pela dedicação ao samba e pelo envolvimento com o Carnaval rioclarense. Para quem o conhecia das quadras, dos ensaios e dos desfiles, a notícia da morte chegou como um daqueles silêncios que nenhuma bateria consegue preencher.
O acidente aconteceu por volta das 0h42, na altura do número 2.731 da Avenida Visconde do Rio Claro, entre as Ruas 9 e 10.
Segundo os primeiros levantamentos realizados pela Guarda Civil Municipal, Marinho conduzia uma motocicleta Honda XRE 300, placa SVF2H54, no sentido Lago Azul. Na garupa estava Jéssica Timóteo da Silva, de 24 anos.
A dinâmica inicial aponta que, ao passar por uma pequena curva existente naquele trecho, a motocicleta teria tocado o meio-fio do lado direito da via. Marinho perdeu o controle da direção e a moto acabou atingindo um poste de iluminação pública.
O impacto foi violento. Marinho morreu ainda no local.
Jéssica ficou ferida, apresentando lesões na perna direita, com suspeita de fratura, além de escoriações pelo corpo. Ela recebeu atendimento das equipes do Corpo de Bombeiros e do SAMU e foi encaminhada ao Hospital Nossa Senhora de Lourdes – Santa Casa. Segundo as informações registradas na ocorrência, a jovem precisou ser entubada e poderia passar por cirurgia.
A investigação continua
Apesar dos primeiros levantamentos apontarem a possível dinâmica da colisão, ainda não há confirmação sobre o que teria provocado a perda de controle da motocicleta.
Os guardas municipais não souberam informar se Marinho trafegava em alta velocidade ou se havia ingerido bebida alcoólica.
O local passou por perícia realizada pelo perito criminal Gustavo. O delegado de polícia e a investigadora Kauane também acompanharam a ocorrência e estiveram no hospital para obter informações sobre Jéssica.
E um detalhe poderá ser fundamental para a investigação: câmeras instaladas em imóveis próximos ao local podem ter registrado o acidente. As imagens poderão ajudar a esclarecer a velocidade, a trajetória da motocicleta e a sequência dos acontecimentos.
A motocicleta foi apreendida e encaminhada ao pátio do Auto Socorro São Lucas. O corpo de Marinho foi levado ao Instituto Médico Legal (IML), onde deverá passar por exames necroscópico e químico-toxicológico.
O samba perde um dos seus

Mas a ocorrência policial conta apenas uma parte dessa história.
Para o Carnaval de Rio Claro, Mário Gabriel não era apenas o jovem que estava na condução de uma motocicleta durante uma madrugada que terminou em tragédia. Era Marinho. Era mestre de bateria. Era sambista.
A escola Ritmo Alvinegro, onde ele exercia a função de mestre de bateria, publicou uma nota de pesar lamentando profundamente a perda e destacou sua dedicação ao samba. A agremiação afirmou que sua “batucada permanecerá viva na memória da escola”.
A notícia também provocou manifestações de outras entidades ligadas ao Carnaval de Rio Claro.
A Embaixadores do Samba lamentou a morte e descreveu Marinho como um “grande sambista, apaixonado pelo carnaval e pelo samba”.
A Grasifs Voz do Morro também prestou solidariedade à família e destacou que as boas batucadas de Mário Gabriel permanecerão vivas nas lembranças daqueles que tiveram a oportunidade de conviver com ele.
Em respeito ao momento de luto vivido pela família, a Grasifs decidiu cancelar o lançamento de seu tema-enredo para o Carnaval 2027, que estava programado para o próximo sábado (15). Uma nova data será divulgada posteriormente pela escola.
A Torcida Independente Rio Claro e a página Carnaval Rio Claro também publicaram homenagens ao sambista.
Quando a bateria silencia
No Carnaval, o mestre de bateria é quem ajuda a conduzir o coração da escola. É ele quem está à frente dos ritmistas, marcando o compasso, organizando os instrumentos e fazendo a batucada ganhar vida.
Agora, para a Ritmo Alvinegro e para tantos sambistas que dividiram ensaios, desfiles e histórias com Marinho, fica uma ausência difícil de explicar.
A investigação policial seguirá seu curso para esclarecer exatamente como o acidente aconteceu. As imagens das câmeras, os exames periciais e os demais elementos deverão ajudar a reconstruir os últimos momentos antes da colisão.
Para os amigos do samba, porém, uma coisa já está definida: a batucada de Marinho não termina naquela avenida. Ela permanece nas lembranças, nos sambas e na memória daqueles que fizeram Carnaval ao seu lado.





