Anuncie aqui

Trump, ESG e Sísifo

Trump dá canetadas que deixam o mundo sem saber o que é verdade e o que não é, tumultuando as percepções da imprensa. Flooding the zone (inundando a área) é a estratégia que desorienta e atordoa a oposição (perdem tempo com algo enquanto outros temas avançam despercebidamente) e a mídia, dificultando a construção de respostas eficazes.
Questões diplomática e econômicas (taxações ao aço brasileiro, inclusive) vêm sendo tratadas por vários articulistas (o ex-chanceler Celso Lafer alerta que Trump está dilapidando o capital diplomático dos EUA), mas há um tema que merece aqui algumas pinceladas: o enfraquecimento da Agenda ESG.
A Agenda ESG (meio ambiente/sustentabilidade, social e governança) vinha ganhando força dia após dia, a partir de metas que vinham sendo perceptíveis em variados segmentos empresariais no mundo todo. Metas ambientais, como o controle de emissão de carbono, meta de zero acidente ambiental, metas sociais como o apoio a programas de inclusão e proteção da população LGBTQIA+, diversidade de equipes, equidade racial, segurança de dados, capacidade de inovação e práticas anticorrupção vinham forte no radar empresarial, fortalecendo a imagem interna e externa das corporações.
A Agenda serve para aumentar a confiança de investidores e consumidores: melhora a reputação empresarial e tende a alcançar sólidos resultados financeiros, com benefícios à coletividade.
O esforço no avanço da Agenda ESG vem resultando em desenvolvimento, integração, vantagens competitivas, aumento da fidelidade do consumidor, oferta de campo para inovação tecnológica, atração e manutenção de colaboradores talentosos: na prática, explicita o quanto um negócio busca meios de reduzir seus impactos no meio ambiente, se preocupa com as pessoas e as questões sociais e adota boas práticas administrativas.
Mas Trump, ao tentar explicar o porquê da colisão do helicóptero militar contra avião comercial em Washington dias atrás, argumentou que as políticas de diversidade, equidade e inclusão permitiram aos órgãos americanos (dentre eles o de controle da Aviação Civil) contratar pessoas que sofrem de deficiências intelectuais, em detrimento da meritocracia, excelência e inteligência! “É preciso que pessoas brilhantes ocupem esses cargos”, disse!
Várias empresas americanas e multinacionais que pregavam a difusão da Agenda ESG têm retrocedido, dentro de um contexto de medidas regressivas alavancadas justamente por Trump para enfraquecer a Agenda.
A saída dos EUA do Acordo de Paris e consequente corte de financiamento afetará o cumprimento das metas climáticas; deixar o Conselho de Direitos Humanos da ONU afeta inciativas que promovem estabilidade política ao redor do mundo; a saída da Organização Mundial da Saúde afetará a capacidade de resposta a surtos e pandemias.
O pensar sobre inclusão, diversidade e sustentabilidade vem do Pacto Global da Organização da ONU, que visa encorajar empresas a adotar políticas de responsabilidade social corporativa e sustentabilidade, donde surgiram os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), guia para os países comprometidos com o progresso global até 2030.
O rei Sísifo, da Mitologia Grega, foi condenado pelos deuses a subir uma montanha empurrando uma pesada pedra. Quando chegava ao topo, a pedra escorregava e rolava de novo até o chão. Sísifo devia carregá-la de volta montanha acima, repetidas vezes, até o infinito.
A política de Trump coloca os envolvidos com a Agenda na posição de Sísifo: rumando atingir metas ESG, são jogados para baixo, numa significação contemporânea de que, por mais trabalho e esforço que se faça em relação à Agenda, os resultados poderão ser frustrantes.
Ainda que Trump pregue na contramão, as empresas devem sim continuar agindo em prol dos ODSs e da pressão pública e do mercado financeiro e regulador nacional e internacional.

Colaborador: William Nagib Filho – Advogado

Anuncie aqui

Mais artigos do autor

Anuncie aqui
Anuncie aqui

Curta nossa página no Facebook

Anuncie aqui
Anuncie aqui

Outros artigos

Especialistas destacam legalidade de anulação dos julgamentos de Lula

Com decisão, ex-presidente se torna elegível para 2022. Ministro Fachin baseou-se na inexistência de 'juízo universal' para a Vara Federal de Curitiba, o que a...

A rentabilidade do Tesouro Selic e as expectativas do mercado

Por: Alina Hassen Os títulos do Tesouro Selic são pós-fixados com remuneração atrelada à Taxa Selic, são emitidos pelo Governo Federal e, em conjunto com...

Os nomes das ruas

Sejamos girassóis

Passarinho Azul

Anuncie aqui

Mais notícias

Álcool, ameaças e uma garrucha escondida: combinação termina em prisão em Rio Claro

Após denúncia de violência doméstica, Polícia Militar encontra arma, munições e prende homem em flagrante no distrito de Assistência. A noite de quarta-feira (8) terminou...

Muito além da quermesse: a fé que acolhe e une uma comunidade inteira na Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Com a bênção de Nossa Senhora Aparecida, festa segue nos próximos finais de semana e convida Rio Claro a viver momentos de fé, confraternização...