Em Rio Claro, excesso de chuva neste inverno já comprometeu culturas inteiras e exige do produtor paciência, replantio e esperança por dias mais favoráveis.
A chuva, tão esperada pelo campo em períodos de estiagem, pode se transformar em um problema quando chega em excesso e por muitos dias consecutivos. Em Rio Claro, produtores de hortaliças já sentem no bolso e na lavoura os efeitos das condições climáticas deste inverno.
Nossa equipe de reportagem esteve na propriedade de Anderson Camargo, proprietário da Camargo Alimentos, que acompanhou de perto a situação das culturas e mostrou os impactos provocados pelo excesso de água.
Entre as maiores perdas está a produção de alface hidropônica, que já estava pronta para ser comercializada. Segundo o produtor, aproximadamente 80% da produção foi perdida. Plantas que deveriam seguir para o mercado acabaram comprometidas pelas condições climáticas.
No campo, Anderson também mostrou a situação de outras culturas. A couve, por exemplo, sofreu um grande volume de perdas. Para tentar recuperar parte da produção, os pés foram cortados e preservados, numa estratégia para permitir que a planta volte a se desenvolver.

A situação é ainda mais difícil para a alface americana e a rúcula cultivadas diretamente no solo. De acordo com o produtor, nesses casos, a perda chegou a 100%.

E quando a natureza não dá trégua, não há dedicação que consiga fazer a planta voltar no tempo. Nesta fase do cultivo, segundo Anderson, não existe uma alternativa para recuperar as plantas afetadas pela chuva intensa. O caminho é retirar o que foi perdido, preparar novamente o solo e plantar novas mudas, aguardando condições climáticas mais favoráveis.

É um processo que representa mais do que simplesmente começar de novo. Cada muda perdida carrega horas de trabalho, investimento em insumos, água, estrutura, mão de obra e a expectativa de uma colheita que deveria chegar ao consumidor.
Chuva acima da média chama atenção

Os números registrados pelo CEAPLA, órgão que acompanha e mantém os registros pluviométricos do município desde 1994, ajudam a dimensionar o cenário.
Segundo os dados apresentados, o acumulado de chuva neste ano já chega a 290,9 milímetros, volume que chama atenção quando comparado aos registros históricos.
Em relação aos maiores volumes acumulados mencionados pelo SEAPLA, aparecem 1996, com 244,0 milímetros, e 2009, com 246,9 milímetros.

Quando o recorte é especificamente o mês de setembro, o histórico também mostra um cenário expressivo. O maior volume registrado para o mês ocorreu em 1996, quando foram contabilizados 192,4 milímetros ao longo de setembro.
Neste ano, somente até 17 de setembro, o município já havia registrado 173,4 milímetros de chuva.

Os números ainda podem mudar até o encerramento do mês, mas já ajudam a explicar o que os produtores estão encontrando diariamente dentro das lavouras.
Entre perdas e recomeços
No campo, entretanto, estatística tem rosto. Tem o produtor que acompanha a lavoura todos os dias e precisa decidir o que ainda pode ser salvo e o que precisa ser retirado.
No caso da Camargo Alimentos, parte das culturas ainda está sendo manejada na tentativa de recuperar a produção. Outras terão de dar lugar a novas mudas.
Anderson mostra a realidade de quem depende diretamente do clima e precisa trabalhar com uma variável que não pode ser controlada: a quantidade de chuva que cai sobre a lavoura.
Depois de tanta água, o desejo do produtor é simples — e talvez seja justamente o mais difícil de conseguir: um período de tempo firme para que o solo seque, as novas mudas possam se desenvolver e a produção volte a caminhar para a normalidade.
Porque no campo, depois de uma grande perda, o produtor não tem outra escolha a não ser preparar a terra novamente, plantar e continuar acreditando na próxima colheita.





