Polícia Civil informou que vai abrir inquérito para apurar o caso e laudo com a causa da morte de Theo Souza, de 1 ano, deve sair em 30 dias. Prefeitura diz que atendimento clínico foi prestado.
A mãe do bebê de 1 ano que morreu após ser liberado duas vezes de uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), em Mococa (SP), diz que o médico que o atendeu pela segunda vez ignorou as queixas apresentadas por ela. O pequeno Theo Souza morreu 40 minutos após ser liberado, no domingo (14).
“Ele [médico] fez a receita e meio que debochou da minha cara dizendo que o médico era ele e que era aquele o remédio que ele tinha que tomar. Se ele tivesse me ouvido, ouvido todas as queixas que eu disse, poderia ter evitado a morte do meu filho”, lamentou Camila Souza, que procurou atendimento na sexta-feira (12) e no domingo (14) após o filho ter dor na garganta, falta de apetite e fraqueza.
A mãe disse que questionou o profissional sobre o fato da criança estar gelada e o médico respondeu que era para colocar a blusa porque ele estava com frio. “E agora, como que faz? Eu não tenho o meu filho que é a coisa mais importante da minha vida”.
A mulher vai registrar boletim de ocorrência nesta sexta-feira (19). A Polícia Civil informou que vai abrir inquérito para apurar o caso. O laudo com a causa da morte deve sair em 30 dias. A identidade do médico não foi divulgada.
Em nota, a Prefeitura de Mococa lamentou a morte e disse que o “atendimento clínico foi prestado, inclusive com a realização de exame e prescrição de medicamentos pelos profissionais que atenderam o paciente”. (Veja abaixo o posicionamento completo.)
Veja como foram os 2 atendimentos:

Sexta-feira, 12 de julho: A mãe levou o criança à UPA com dor de garganta. O médico plantonista diagnosticou a criança com estomatite e a medicou;
Sábado, 13 de julho: A criança continuava amuada, mas a mãe optou por não levá-la à UPA já que o médico tinha dito que o caso era viral e que iria melhorar;
Domingo, 14 de julho: Como a criança não se alimentava e estava fraca, a mãe resolveu levá-la novamente até a UPA. Durante a consulta, ela disse que o menino tinha sido diagnosticado com estomatite, mas que o menino estava cansado.
A mãe disse que o médico que o atendeu ouviu o pulmão, pediu um raio-x e viu que a criança estava com secreções no pulmão. Foi receitado um antibiótico. A mãe questionou o profissional que a criança estava gelada e disse que ele respondeu que era para colocar blusa no menino que ele estava com frio.
A mãe contou que pediu para o médico dar soro para a criança, o que foi negado. Ela também pediu antibiótico injetável, o que também foi negado pelo médico. Após ser liberada da UPA, enquanto esperava a carona de uma irmã, o menino morreu.
A mãe voltou para a UPA, tentaram reanimar a criança, mas o procedimento não teve sucesso. Ela disse que uma enfermeira foi até ela e passou o que tinha acontecido com o menino.
“Como que o meu filho tem diagnóstico de estomatite na sexta, no domingo passa por atendimento, e um médico que não tem a mínima vontade de atender uma criança, uma vida, não dá a atenção necessária? E meu filho morre após 40 minutos de atendimento”, desabafou.
Camila informou que já contratou um advogado e estuda um processo. “Eu vou fazer de tudo pra fazer justiça por você”, escreveu em uma postagem nas redes sociais.
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O que diz a prefeitura
Apesar da criança ter morrido 40 minutos após ter sido liberada da UPA, a prefeitura alegou que o atendimento clínico foi prestado ao menino. Veja abaixo o posicionamento completo da administração:
“A Secretaria de Saúde lamenta o ocorrido, rogando a Deus o conforto aos familiares. Os fatos ocorridos estão sendo apurados com muita responsabilidade e respeito à dor dos familiares. O material biológico colhido durante a necropsia será encaminhado para investigação das possíveis causas da infecção que resultaram, lamentavelmente, o óbito. O atendimento clínico foi prestado, inclusive com a realização de exame e prescrição de medicamentos pelos profissionais que atenderam o paciente. Toda a evolução clínica está devidamente documentada nos prontuários.”
Fonte: g1 São Carlos/Ararquara