Por: Eduardo Bergamaschi
Eu sou um pai que perdeu um filho para a Covid19. Eu sou um pai que ouviu de seu filho a preocupação por não estar recebendo material de qualidade para exercer sua função na linha de frente. Ele atuava na UPA do Cervezão e o nome dele era Cesar Augusto Bergamaschi.
Portanto me sinto muito à vontade para comentar sobre o assunto político do momento, a perda de prazo para a apresentação de conclusão da Comissão Processante (CP) que apurava possíveis irregularidades na compra de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para uso dos profissionais da saúde da cidade de Rio Claro.
Fosse essa Comissão Processante encerrada apurando a inocência do prefeito ou a condenação e pedido de cassação (como foi o caso) e tudo estaria perfeito.
Mas, os fatos ficam muito estranhos quando se arquiva uma Comissão Processante por “decurso de prazo”.
Não posso, não devo e não vou julgar ninguém. Mas quero lembrar às pessoas envolvidas, eu ia dizer políticos envolvidos (mas não vejo nenhum ser humano no processo que mereça ser chamado de político), que o que estava em jogo, não era o partido A, B ou C, mas sim a vida de alguns profissionais de saúde que se foram, por culpa, provavelmente, da má qualidade dos produtos comprados.
Meu filho, por exemplo, morreu aos 43 anos, deixou dois filhos, um de dois anos, outro de sete e uma esposa, que estão há 90 dias, sem receberem um centavo sequer do governo municipal ou do INSS.
Como já disse, não estou julgando e não quero saber se o prefeito é culpado ou não, o que eu quero é, no mínimo, RESPEITO.
Respeito à dor dos familiares que perderam entes queridos. Respeito aos profissionais de saúde que estão na linha de frente por horários absurdos de trabalho, salários irrisórios e sem sequer receber equipamentos de qualidade para exercer sua função.
O que eu quero é que esses “pseudos políticos” envolvidos no processo todo, saibam que toda vida tem valor. Não se pode menosprezar vidas por um ganho político aqui ou acolá.
Eu sempre ouvi a frase “aprendi na Faculdade da Vida” e questionei “mas quem são os professores dessa Faculdade?”
E o Tempo me mostrou que, na verdade, “os professores” é apenas um, ele mesmo, o Tempo.
Mas, com essas tramoias que vemos diariamente, executadas por pseudos políticos, nem o grande professor TEMPO me fará assimilar a morte do meu filho.
E assim como eu, muitos outros pais, mães, filhos, esposas, maridos vamos tentando assimilar o que Deus nos proporcionou e que alguns homens públicos fazem questão de menosprezar.





