Ação conjunta da DIG de Rio Claro e do GAECO de Piracicaba cumpre 26 mandados de busca, decreta 19 prisões preventivas e bloqueia mais de R$ 33 milhões ligados ao tráfico, lavagem de dinheiro e atuação de facção criminosa.
Uma grande operação da Polícia Civil foi deflagrada nesta quarta-feira em Rio Claro e região com o objetivo de desarticular uma organização criminosa ligada à facção Comando Vermelho. Batizada de Operação “Linea Rubra”, a investigação é conduzida de forma conjunta pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Rio Claro e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) de Piracicaba, com apoio da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.
A operação simboliza a atuação das instituições no estabelecimento de um limite ao avanço territorial da organização criminosa no interior paulista, buscando desmontar sua estrutura logística, financeira e operacional.
As investigações apuram crimes de organização criminosa, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, cujas penas podem chegar a mais de dez anos de prisão.
Por determinação judicial foram expedidos 26 mandados de busca e apreensão e 19 prisões preventivas. Também foram determinados o sequestro de 12 imóveis, 39 veículos e o bloqueio de aproximadamente R$ 33,6 milhões em contas bancárias, valores que teriam origem em atividades ilícitas.
Para o cumprimento das ordens judiciais foram mobilizados 120 policiais civis, três promotores de Justiça e 41 viaturas, além do apoio do Serviço Aerotático (SAT) e de uma equipe da Secretaria da Fazenda.
Investigação
A apuração identificou uma organização criminosa estruturada, com atuação predominante em Rio Claro e região, dedicada ao tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e envolvimento em homicídios.
Segundo a investigação, o crescimento da violência na cidade está relacionado a uma disputa territorial iniciada após a Operação Oposição, realizada em maio de 2023, que desarticulou o grupo liderado por Anderson Ricardo de Menezes, conhecido como “Magrelo”.
Com o enfraquecimento dessa estrutura, o comando das atividades criminosas teria sido assumido por Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como “Bode”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho no interior do Estado.
Ele e seu principal colaborador, Luan Barbosa de Almeida Félix, estão atualmente foragidos. Há indícios de que ambos estejam escondidos na comunidade Fallet-Fogueteiro, no Rio de Janeiro, área dominada pela facção criminosa.
Estrutura e funcionamento
As investigações revelaram uma estrutura organizada, com divisão clara de tarefas entre os integrantes. Entre os métodos utilizados pelo grupo estão:
utilização de “carros-cofre”, com compartimentos ocultos para transporte de drogas e dinheiro;
uso de empresas de fachada;
emprego de “laranjas” para ocultação patrimonial.
A movimentação financeira da organização é considerada expressiva. Em menos de um mês, os investigadores identificaram circulação superior a R$ 1,19 milhão, proveniente do tráfico de drogas e da comercialização ilegal de armas.
Lavagem de dinheiro
O núcleo financeiro da organização utilizava uma complexa rede de contas bancárias em nome de terceiros para inserir os recursos ilícitos no sistema financeiro. As transações eram realizadas principalmente por PIX, TED e depósitos em espécie, utilizando as chamadas “contas de passagem”, abertas apenas para dificultar o rastreamento dos valores.
Familiares, pessoas de confiança e empresários do mercado formal teriam sido utilizados para ocultar a titularidade de bens móveis e imóveis.
Resposta do Estado
De acordo com os investigadores, a Operação “Linea Rubra” representa uma importante resposta institucional no combate ao crime organizado, permitindo identificar integrantes da organização, suas funções e o patrimônio construído a partir de atividades ilícitas.
As diligências continuam em andamento para localizar os líderes foragidos e aprofundar o rastreamento financeiro da organização.





