Com ações antecipadas da Uesca, feijoadas lotadas, hotéis com 100% de ocupação e R$ 15 milhões movimentados, festa consolida força cultural e econômica na Cidade Azul.
Quando os primeiros enfeites de Natal ainda começavam a surgir nas vitrines, o Carnaval de Rio Claro já pulsava nas quadras das escolas de samba. Foi no início de dezembro que a engrenagem começou a girar — muito antes dos dias oficiais de folia.

O primeiro grande movimento organizado pela União das Escolas de Samba da Cidade Azul (Uesca) aconteceu em 6 de dezembro de 2025, marcando o pontapé inicial de uma sequência de eventos que ajudaram a estruturar financeiramente e fortalecer culturalmente o Carnaval 2026. A entidade promoveu ações para captação de recursos e, ao longo dos meses seguintes, ampliou a mobilização em torno das seis agremiações.
Nas quadras de Samuca, UVA, A Voz do Morro, A Casamba, Ritmo Alvinegro e Embaixadores do Samba, o clima já era de avenida muito antes dos desfiles. Feijoadas reuniram grande público, ensaios de bateria lotaram os espaços e as comunidades passaram a viver intensamente o Carnaval.

Um dos aspectos mais simbólicos desta preparação foi o espírito de convivência entre as escolas. Não era raro ver integrantes vestindo camiseta da Casamba participando de evento na Samuca — e o inverso também acontecia. O mesmo entre UVA e A Voz do Morro. A rivalidade, como manda a tradição, ficou restrita à avenida. Fora dela, prevaleceu o sentimento de pertencimento coletivo ao Carnaval rio-clarense.
Essas atividades paralelas não apenas reforçaram a identidade cultural da festa, como também garantiram fôlego financeiro às agremiações. Durante os dias oficiais, a Uesca também realizou a exploração das vagas de estacionamento no entorno do evento, revertendo os recursos para as seis escolas — medida que contribuiu diretamente para a sustentabilidade da festa.

O resultado apareceu nos números. Aproximadamente 45 mil pessoas passaram pelo circuito dos desfiles nos três dias principais, com pico de 18 mil foliões no domingo. O impacto econômico ultrapassou R$ 15 milhões nos últimos 30 dias, beneficiando bares, restaurantes, comércio de fantasias e adereços.


Os hotéis da cidade registraram 100% de ocupação, evidenciando que o Carnaval de Rio Claro ultrapassa os limites locais e atrai visitantes de diversas regiões.
Outro reflexo direto foi percebido pelo empresariado. O comerciante Bruno Bac, da Bac Distribuidora de Materiais Nacionais e Importados, relatou aumento significativo no faturamento com o atendimento presencial às escolas de samba neste ano. Tradicionalmente focada nas vendas on-line, a empresa viu a demanda crescer intensamente na reta final de preparação, reforçando como o Carnaval movimenta toda a cadeia produtiva.

Com arquibancadas e camarotes esgotados, 5 mil lugares gratuitos disponibilizados e espaço inclusivo garantido, o Carnaval de Rio Claro mostrou que sua força vai além do espetáculo: ele nasce nas comunidades, se constrói ao longo de meses e transforma cultura em desenvolvimento.





