Entidade classifica justificativa dos norte-americanos como improcedente e alerta para impactos na competitividade da indústria e do agronegócio brasileiro.
O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) criticou duramente a decisão dos Estados Unidos de impor uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, elevando para até 37,5% a carga tarifária sobre parte das exportações nacionais. A entidade considera improcedente a justificativa apresentada pelo governo norte-americano, que atribui a medida a supostas falhas do Brasil no combate ao trabalho forçado.
Em nota oficial, o presidente do Ciesp e primeiro vice-presidente da Fiesp, Rafael Cervone, afirmou que o Brasil possui uma das legislações trabalhistas mais rigorosas do mundo e é signatário de 66 convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), incluindo os principais acordos de combate ao trabalho infantil e ao trabalho forçado.
Para Cervone, utilizar esse argumento para impor novas barreiras comerciais sem comprovação concreta compromete a imagem internacional do Brasil e reforça a percepção de que a decisão extrapola critérios técnicos e comerciais.
A entidade também alerta que as novas tarifas colocam o Brasil entre os países com maiores barreiras de acesso ao mercado norte-americano, prejudicando a competitividade da indústria e do agronegócio em um dos principais destinos das exportações brasileiras. Segundo o Ciesp, os impactos também serão sentidos pelos consumidores dos Estados Unidos, que poderão pagar mais caro pelos produtos importados do Brasil.
O Ciesp defende que o governo brasileiro intensifique a diplomacia econômica, conduzindo as negociações com serenidade, firmeza e base em argumentos técnicos, afastando o debate de questões político-eleitorais. A entidade considera positiva a criação de linhas de crédito com juros reduzidos para apoiar empresas afetadas pelas tarifas, mas ressalta que medidas emergenciais não substituem a necessidade de restabelecer condições equilibradas para o comércio entre os dois países.
Na avaliação da entidade, o tema deve ser tratado como uma agenda de Estado, voltada à defesa da competitividade das empresas brasileiras, da geração de empregos e da preservação de uma relação econômica estratégica construída ao longo de décadas entre Brasil e Estados Unidos.





