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Chineladas (in)consequentes!

A campanha da Havaianas com Fernanda Torres sugere começar 2026 com os dois pés, algo interpretado como mensagem anti-direita. O “filho do capitão” jogou um par delas no lixo e outros políticos incentivaram boicotes.
Quem fabrica assustou num primeiro momento, com as ações da empresa caindo, mas se recuperaram rapidamente, superando as perdas e atingindo novos patamares, gerando um aumento massivo de seguidores para a Havaianas no Instagram. A polêmica trouxe mais visibilidade e popularidade para a marca, dentro do chamado efeito Streisand, em que atacar ou censurar resulta em efeito contrário.
A polarização virou risco para a publicidade e a polêmica desperta algumas reflexões jurídicas consideráveis.
Propagandas polêmicas, ainda que divulgadas dentro do contexto da liberdade de expressão, devem ser retiradas do ar apenas e tão somente se forem enganosas, abusivas, ferirem a ética, desrespeitarem a lei, explorarem vulnerabilidades, ou incitarem violência/discriminação, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor e o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), dentro da ideia de que deva haver um equilíbrio entre a liberdade de expressão e a necessidade de proteger o consumidor e a sociedade.
A expressão ‘pé direito’, que não tinha associação politizada no imaginário popular, só ganhou outros contornos por causa da pauta política atual somada a uma marca com potencial de reverberação. Intensa instabilidade, conflitos e turbulência em um cenário político caracterizado por crises, escândalos, protestos e debates acirrados desaguam em tempestade política num ambiente carregado, agitado e imprevisível, com reflexos em áreas como mercado e comportamento do consumidor.
Como o financiamento das candidaturas políticas não pode mais ser pago diretamente por empresas, não se pode dizer por aí – sem maior cuidado – que uma marca esteja indireta ou veladamente propagandeando seu produto em favor de um certo político ou grupo.
E é aí que reside o inconsequente comportamento do ex-deputado federal e filho de Jair: numa leitura açodada e isolada, ignora que a fabricante das Havaianas tem como donos grandes empresas/holdings com ações na Bolsa, além de uma instituição financeira globalmente relevante, fabricante esse que é assessorado por profissionais qualificados no ambiente jurídico e de marketing, evitando-se o não compliance. Não é esperado, portanto, que uma marca popular e democrática alimente a polarização, tomando um lado, até porque prejudicaria os revendedores e franqueados, o que levaria a sofrer deles ações indenizatórias.
Mas o fato é que quem polemizou e jogou o chinelo no lixo ignora que uma manifestação inconsequente pode afetar o mercado e comprometer a estabilidade negocial de uma corporação, prejudicando faturamento, empregos, projetos e contratos, inclusive dos que vendem chinelos ao consumidor final. Acionistas, diretores e colaboradores da fabricante de chinelos, dentro do espectro da polarização e do processo democrático, pensam e escolhem diferentemente seus candidatos, em perfis muito particulares. Quem vende o chinelo em luxuoso shopping ou feira livre também pensa e vota na direita ou na esquerda, e por aí vai.
Especialistas em marketing sinalizam que a publicidade de agora em diante vai evitar termos como direita, esquerda. Coisas que normalmente não geram “buzz” quando a temperatura está morna – frases como a do suco Tang – faz 1 L – vão detonar muitos problemas em 2026, ano que promete calor intenso, num inferno político que vai deixar estragos profundos na sociedade.
Chineladas “as legítimas”, por outro lado e por agora, devem sim ser direcionadas: ao Estado “criminoso” que confiscou os bens dos cidadãos que trabalharam cinco meses no ano só para pagar tributos em favor da gastança imoral; a ministros do STF por suas inconsequentes violações da ética e da Constituição; a governadores e prefeitos que deixam faltar energia e água ao cidadão; à elite do funcionalismo que sangra os cofres com vergonhosos penduricalhos; aos gestores dos “Correios” sedentos por R$ 8 bilhões para saldar dívidas por má-administração, e por aí outras tantas chineladas!
Chinelos (quaisquer deles!) na mão, em atenção!

Colaborador: Dr. Willian Nagib Filho advogado e sócio do escritório de advocacia; Nicolau Laiun, Lorenzon e Nagib Advogados Associados

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