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Ao assumir a Presidência do Grupo Ginástico Rioclarense-GG, assim como está ocorrendo com todo e qualquer Clube Social país afora, preocupa o fato de que o número de associados na categoria de remidos é impressionantemente crescente: são muitos e muitos e, cada vez mais, o direito é concedido a quem faz jus. Decidiu-se em assembleia do GG que todos os que, de 2012 em diante, tivessem alguns poucos anos para se tornarem remidos com 30 anos passariam a, obrigatoriamente, ter que completar os 35 anos de contribuição, conforme mudança estatutária aprovada.

Os que se tornaram associados após 31 de dezembro de 2015 nem poderão mais sonhar com a remissão, porque a associação percebeu, ainda que tardiamente, que aquilo que justificava a existência da categoria de remido não mais se coaduna com a mais recente realidade dos clubes e afins.

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Os problemas gerados pela enorme gama de remidos são de difícil superação. Somente muita criatividade pode resultar em adequadas soluções alternativas pela falta de dinheiro nos clubes, dentre elas, principalmente, a aquisição de novos associados, algo de difícil concretização diante da crise econômica, existência de verdadeiros clubes em condomínios residenciais e comerciais, o alto custo dos shows artísticos, mão de obra cara e por aí vai.

A falta de adequado estudo e previsão lá atrás, há 30 ou 40 anos, não é exclusividade de clubes sociais. O imediatismo, a ausência de exaustiva reflexão e a falta de planejamento podem levar a futuros prejuízos e percalços incontornáveis.

Só para curiosidade do leitor, uma companhia aérea americana, passando por dificuldades financeiras na década de 80, vendeu a chamada passagem vitalícia, propiciando ao adquirente viajar até morrer, sem limites, com um acompanhante, para todos os destinos servidos pelas rotas exploradas pela empresa. Esperava vender milhares dessas passagens vitalícias, mas foi um desastre comercial, apenas algumas dezenas de interessados aderiram. Resultado: somente um deles já custou US$ 21 milhões, noventa vezes mais do que os US$ 233 mil pagos pela passagem vitalícia. Consumidores e a companhia aérea brigam na justiça porque foi um péssimo negócio para a empresa. Imediatista na solução de uma crise pontual, não ponderou e previu adequadamente o que ocorreria décadas depois.

Pode não parecer existir correlação entre o problema dos clubes sociais e o enfrentado pela tal companhia americana, mas há sim uma convergência entre o que levou a decisões desastrosas e suas resultantes: a falta de planejamento quanto ao futuro para 2, 3, 4, 5 ou mais décadas à frente, marcado pelo incrível aumento da expectativa de vida dos cidadãos, concentração de riquezas, garantia de direitos fundamentais e consumeristas.

Que sirva de lição para novas projeções, especialmente por conta da longevidade progressiva do ser humano.

Com essa rápida digressão, o fato é que, ao assumir a gestão do Grupo Ginástico, a nova diretoria deverá se reinventar, de maneira que encontre alternativas para a perda substancial de receita por conta, dentre outros fatores, mas o principal deles, da existência de uma categoria de associados cuja captação foi impulsionada lá atrás com a promessa de que, no futuro, usufruiriam de tudo e mais um pouco sem pagar (falaciosa ilusão)! Agora de nada adiante um quadro enorme de associados remidos sem que exista algo para o lazer, pois não há o que fazer sem dinheiro ou ideias inovadoras.

Novos desafios, novas perspectivas, marcadas, pelo menos agora, pela adequada reflexão de como será a existência para as próximas décadas, sem promessa ou concessão de privilégios, vantagens ou benesses improváveis ao associado, cuja expectativa de vida só aumenta e a gama de opções é imensa.

William Nagib Filho, Advogado, presidente do Grupo Ginástico Rioclarense 2020/2023

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